A ESCUTA NA EDUCAÇÃO INFANTIL: CONSTRUINDO POSSIBILIDADES PARA LIBERTAÇÃO ATRAVÉS DE PAULO FREIRE

Paula Werneck Vargens, Beatriz Pereira Serrão, Jayanne da Conceição Araujo

Resumo


O presente artigo desenvolve a ideia da escuta como parte de uma prática pedagógica comprometida com o processo de libertação, no sentido proposto por Paulo Freire. Compreendendo que o movimento de libertação se relaciona com a urgência de uma desconstrução da colonialidade, como pensado por Marcelo Moraes, desde um compromisso com os povos oprimidos e subalternizados. Propõe-se pensar a escuta como parte de uma prática pedagógica que aposte mais no afeto e no eros, no sentido proposto por bell hooks, como parte integral, constitutiva de todas as fases temporais do ser humano, mas que se estabelece de modo muito específico na infância. Deste modo, o eros enquanto afeto, desprendido de controle, encontrando-se no diálogo e num nós desoperante de domínio, faz-se liberdade. Entendemos que tal movimento vem contribuir para um processo de inversão e deslocamento da colonialidade, viabilizando a construção de uma prática pedagógica comprometida com a construção de uma sociedade mais justa e menos violenta. A prática de uma escuta sensível e atenta implica uma disponibilidade interna de também se escutar e poder repensar os lugares definidos desde a colonialidade de um suposto lugar do professor, como uma organização hierárquica e autoritária, baseada em lugares de poder culturalmente estabelecidos.


Palavras-chave


Educação infantil; desconstrução da colonialidade; escuta; eros.

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