O OLHAR PARA A DIVERSIDADE A PARTIR DAS VIVÊNCIAS PSICOMOTORAS COM CRIANÇAS

Camila Perrotta, Cintia Tavares Ferreira, Katia de Souza e Almeida Bizzo Schaefer, Rosana de Moura de Aguiar

Resumo


O presente estudo faz parte do Projeto Vivências Psicomotoras do Núcleo de Atendimento às Pessoas com Necessidades Específicas (NAPNE), no Centro de Referência em Educação Infantil Realengo (CREIR) do Colégio Pedro II, que teve início em maio de 2018. O projeto tem por base os estudos em Psicomotricidade e Educação. A partir dos estudos entrelaçados de Educação e Psicomotricidade, e contando com a formação multidisciplinar dos professores que se disponibilizaram a estruturar esse projeto, as vivências psicomotoras se consolidaram como prática semanal, realizada com uma turma selecionada pela coordenação do NAPNE. Além das quatro educadoras presentes, autoras deste trabalho, o grupo se constituiu pela riqueza de diversidade de questões apresentadas pelas crianças no cotidiano escolar. Assim, contamos com criança com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras com questões não diagnosticadas, mas que nos interrogam e nos desafiam diariamente sobre as possibilidades de atuação corporal com as mesmas. Apesar da escola já contar com um atendimento individualizado para elas e sabendo da valorização dos corpos e do diálogo com todas as crianças – prática contemplada no currículo da Educação Infantil desta instituição, como também validada nas ações cotidianas –, decidimos potencializar ainda mais o diálogo tônico com esse grupo, para focar nas questões individuais, buscando ampliar suas possibilidades e valorizar suas potencialidades. Por isso investimos nas vivências psicomotoras, entendendo que a Psicomotricidade visa o olhar para o indivíduo em sua integralidade e, a partir desse olhar, as dificuldades motoras, sociais, afetivas e cognitivas podem ser elaboradas, com o intuito de potencializar a atuação saudável, ativa e segura de cada indivíduo, empoderando-o em suas relações e afirmando seu lugar e sua força vital a partir da conscientização do seu corpo e de suas possibilidades. Os profissionais que atuam nessa prática psicomotora têm o papel de mediar tais relações, apresentando alguns materiais específicos, que, carregados de intencionalidade, convidam a diferentes experiências, situações desafiadoras e acolhedoras, considerando as limitações, mas também as potencialidades de cada um. Dessa forma, os encontros são sempre abertos à livre expressão, estabelecendo a importância dos combinados de cuidado consigo, com o outro e com o ambiente, e se baseiam no diálogo tônico, na leitura dos movimentos mais amplos, como também das expressões mais sutis, de forma que a tonicidade ganha maior relevância e a comunicação verbal perde espaço, para que a escuta alcance a subjetividade do ser e a complexidade do que cada um sente e vive, para além das palavras. Sem a pretensão de mostrar resultados objetivos e precisos, pois tais vivências garantem o lugar da subjetividade, do não saber e do não controle desses corpos, este trabalho traz o compartilhamento das observações dessas crianças nas vivências e no cotidiano, apontando para as transformações perceptíveis nas relações com elas próprias, com outros sujeitos e com o ambiente em outros momentos do cotidiano escolar, como também nas próprias vivências. Cabe sinalizar que não há intenção de incluí-las em um padrão de comportamento, mas buscar subsídios para melhorar a qualidade dessas relações, respeitando e valorizando as diferenças, como também aprendendo com elas.


Palavras-chave


Psicomotricidade; NAPNE; Educação Infantil

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