Cotidiano e currículo na educação infantil: experiências de integração e infância

Alessandra Lopes

Resumo


Integração. Refere-se, entre outros, ao “ato ou efeito de integrar (-se)”[1], à “condição de constituir um todo pela adição ou combinação de partes ou elementos”[2]. Sua origem etimológica, do latim integrare, traz ideias outras em palavras como renovar, recomeçar, restaurar, sugerindo que ao se compor um todo cria-se algo que difere, algo outro, que se faz e refaz, ciclicamente, novo. Para os docentes que atuam na Educação Infantil no Colégio Pedro II[3] a palavra remete a ideias como: estar junto, compartilhar, interagir, estar dentro, fazer parte de um grupo. Organizada em turmas seriadas com crianças de 3 a 5 anos, e com uma equipe de docentes licenciados em Educação Física, Música, Artes Visuais, Informática e Pedagogia, a busca por formas de integrar – currículo, adultos, crianças – assumiu considerável importância nas práticas educativas e, consequentemente, na proposta político-pedagógica para esta etapa da Educação Básica na instituição. Ao longo de 2015, algumas propostas foram colocadas em ação no intuito de favorecer experiências de integração. Este texto coloca em jogo algumas dessas propostas, mapeando ideias e entendimentos entrelaçados às formas que assumiram e assumem nas práticas cotidianas. Que relações se pode pensar entre adultos, crianças, currículo e integração na Educação Infantil? Entre currículo e cotidiano? As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil homologadas em 2009 apresentam uma proposta de currículo constituído na articulação de práticas e experiências cotidianas aos conhecimentos produzidos socialmente ao longo da história, em um planejamento centrado na criança. O que nos dá a pensar a integração como condição para a constituição de um todo na articulação entre cotidiano e currículo? Partimos das partes para um todo ou de um todo para as partes? Em movimentos contínuos de territorialização, desterritorialização e reterritorialização podemos nos fazer um e muitos? Nas movimentações que nos tomam, adultos e crianças, no chão da escola, infância e integração parecem oferecer uma ideia comum: renovar. Infância que faz surgir o novo tanto em cada nova vida que nasce para o mundo quanto na vivência de um tempo não somente cronológico mas que se faz intensidade, um tempo indefinido, sem início ou fim, não-linear. Uma experiência de infância, a abrir espaço para o novo no mundo, a fazer irromper o novo no mundo. Uma infância passível de ser habitada por crianças eadultos. Novo e velho, diferentes vivências de tempo se atravessam, assim, em movimentações que criam cotidiano, currículo, adultos e crianças em escolas de Educação Infantil; adultos e crianças que fazem escola ao passo que são por ela feitos.

[1]http://michaelis.uol.com.br/busca?id=BVqRl

[2]Idibid

[3]Instituição pública brasileira, integrante da Rede Pública Federal de Educação Profissional e Tecnológica.


Palavras-chave


integração; infância; experiência

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