Deslimites híbridos entre o Engenho da Rainha e o Engenho Novo: por uma pedagogia aberta à afetividade das ruas

Alexandre Guimarães, Anderson Pontes

Resumo


Nos diferentes trânsitos, mapas e caminhos possíveis, envolvendo as ruas do subúrbio carioca, no reconhecimento dos múltiplos trajetos feitos a pé, de ônibus ou de trem, na oportunidade dos cruzamentos e dos encontros que habitam a nossa memória na aventura diária do ir e vir, é urgente atentar para a noção de uma educação libertadora que não se veja alienada do próprio cotidiano, acolhendo-se a dimensão crítica do “corpo-cidade” e dos saberes endógenos. Na presente contribuição, observa-se que os bairros do Engenho Novo e do Engenho da Rainha, entrelaçados por ações educativas que valorizam o sentimento de pertencimento, buscam responder colaborativamente à necessidade de se abrir mais espaço para o diálogo entre as realidades locais de onde se estuda e se mora, dando-se visibilidade a uma cartografia sem limites das artes na escola. Aprofundam-se neste trabalho relatos de experiências recentes, envolvendo os discursos simbólicos de dois bairros representativos da Zona Norte, estabelecidos em geografias vizinhas de antigas freguesias rurais que remontam os antigos engenhos da cidade, multiplicadas na relação intercultural mantida pelos estudantes de cada contexto junto ao terreno educacional em artes. O texto é um convite à escuta de muitas realidades silenciadas e propõe, assim, uma revisão epistêmica entre a noção de centro e periferia, trazendo-se à tona as ricas sonoridades, sabedorias e modos de existência, realidades culturais dos mais variados recantos da cidade. Sem pressa, lembra-se que é preciso se abrir às sutilezas da poesia que ecoa das ruas articuladas às espacialidades afetivas que nos envolvem e nos moldam diariamente, junto aos encaminhamentos da arte na escola. Estamos em meio a muitos versos e travessias e, por vezes, não percebemos.


Palavras-chave


Ensino da Arte. Cotidiano. Engenhos. Ruas.

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ISSN: 2595-4792