Utopia ou direito à educação? A importância do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova às vésperas de seus 90 anos (1932-2022)

Beatriz Igreja, Carlos Eduardo Oliva, Gabriela Padro, Maira Reis, Roberto Luis Silva Henrique

Resumo


O artigo aborda o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova (1932), escrito pelo educador e sociólogo Fernando de Azevedo e assinado por diversos intelectuais brasileiros, e o Manifesto dos Educadores: Mais uma vez convocados (1959), que permanecem importantes no cenário atual da Educação (CÁSSIO, 2019), mesmo depois de quase 90 anos da publicação do primeiro manifesto. Após uma breve correlação entre o plano educacional proposto nos manifestos e o sentido de utopia dado pelo autor desse neologismo, Thomas More, em seu livro Utopia (1516), apoiados em Peroza, Mesquida & Horvath (2020), demonstramos que a importância desses manifestos está na sua defesa de pautas ainda fundamentais para a Educação brasileira, como a função essencialmente pública da Educação, a laicidade, gratuidade e obrigatoriedade da educação pública, a necessidade de unidade e autonomia da função educacional, o estímulo constante ao educando e a contribuição da educação pública para o progresso científico e técnico, para o trabalho produtivo e o desenvolvimento econômico do país. São reflexões possíveis e necessárias para a transformação ainda exigida pelas escolas públicas no país, que atualmente enfrentam todo tipo de ataques, como corte de verbas (PINTO, 2019), militarização (RICCI, 2019), descontinuidade de políticas públicas (AVELAR, 2019), ameaças de setores conservadores da sociedade (JUNQUEIRA, 2019) que defendem o homeschooling (PICHONELLI, 2019) e o ensino religioso nas escolas públicas (CUNHA, 2013), além de sua despolitização e perseguição de professores (MIGUEL & OLIVEIRA, 2020; LINARES & BEZERRA, 2019), junto a um projeto que retira sua autonomia pedagógica, como o do chamado Novo Ensino Médio (CORTI, 2019).


Palavras-chave


Direito à Educação. Manifesto dos Pioneiro da Educação Nova. Reforma Educacional. Utopia.

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Referências


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ISSN: 2595-4792