Educação de surdos no Brasil e Bilinguismo: um olhar sobre o tema.

Vera Aparecida Nordio, Rogério da Costa Neves

Resumo


 

RESUMO: O objetivo deste texto consiste em fazer um levantamento do processo
histórico da educação de surdos no Brasil e introduzir elementos que cooperem para a
reflexão sobre a complexidade do que temos entendido como bilinguismo, com enfoque
para a relevância da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) no ensino de pessoas surdas
e sua influência no processo formativo. É importante compreender que a educação de
surdos no Brasil ficou historicamente inserida no campo da educação especial desde os seus primeiros registros e durante, praticamente, todo o século XX. Disputas ideológicas se fizeram presente e o debate sobre a língua ideal para a escolarização de surdos transitou
entre a língua de sinais, o oralismo e a comunicação total. Somente nas últimas duas
décadas desse século, o bilinguismo assumiu centralidade dos debates sobre educação
de surdos e, desde então, vem se estabelecendo como uma tendência e influenciando a
forma de se compreender a surdez, atualmente, nos estudos surdos, entendida a partir de
um enfoque da diferença.  Assim, através de fontes bibliográficas, a investigação se
ocupará de apresentar os marcos essenciais da educação de surdos no Brasil, apresentar
reflexões sobre a língua e a ausência de língua e evidenciar a relevância do bilinguismo na educação de surdos. Destacamos que esse artigo traz um recorte do referencial teórico da dissertação de mestrado intitulada “Uma investigação das expectativas de jovens surdos para a etapa final da educação básica: em discussão o ensino médio técnico integrado.”


Palavras-chave


Palavras-Chave: Ensino; Educação de surdos; Bilinguismo

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DOI: http://dx.doi.org/10.33025/ceb.v7i1.3160

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