CONTRA-HEGEMONIA: um caminho possível para o ensino de ciências

Rodrigo Trevisano, Glória Regina Pessôa Campello Queiroz, Lais Rodrigues Silva

Resumo


Este artigo tem por objetivo apresentar uma discussão inicial sobre o papel docente na transformação da escola para a construção de um caminho contra hegemônico para o ensino de ciências. Nosso objetivo ao trazer esse tema para discussão é compreender mais profundamente quais aspectos são mais relevantes na formação do professor de ciências capaz de desenvolver um prática contra-hegemônica. Para iniciar o debate, nos apropriaremos do entendimento de Ernesto Laclau sobre o conceito de hegemonia construída a partir do discurso a concebendo como uma intervenção discursiva que busca a universalização de um discurso tendo como partida as ausências no campo social. Entendemos, assim como o autor, que o conceito de hegemonia traduz um discurso particular e este passa a representar algo maior que ele. Acompanhando nossa reflexão chamamos para conversa Henry Giroux por sustentar que o professor ao assumir seu papel de intelectual transformador, alcança um caminhar pedagógico contra hegemônico capaz de educar os alunos para uma ação social transformadora. Para tal, três questões se tornam centrais: entender a natureza desse conhecimento científico que almejamos; ter o pleno conhecimento dos fatores que sustentam a escola em um fluxo contínuo de manutenção de um discurso hegemônico; e uma reflexão sobre os objetivos de ensinarmos ciência.


Palavras-chave


formação de professores, ensino de ciências, contra-hegemonia.

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DOI: http://dx.doi.org/10.33025/ceb.v3i1.1792

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